sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

E agora qual o motivo para sorrir?


"Juro que te perder é umas das coisas que eu menos quero nesse momento, por que justo agora? Não se perca de mim. Chegou calmo, mas já devastou tudo. E agora quer ir embora? Não!! Você tem contas a resolver. Deixou um problema grave dentro de mim, que eu não sei nem se tem cura. Vem cá, não deixa isso se perder, virar poeira. Cadê meus dias felizes? Cadê o sorriso ao acordar? Cadê a vontade de ver o sol e sentir o vento? Cadê aquela menina alegre que sorrir com os cantos dos pássaros? Já deu pra perceber que não sou nada sem você, não é?"

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Seguindo em frente ;)


Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás. - Caio F.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

*-*


"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..." - Caio F.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A vida segue ..


Não queria que isso tivesse acontecido. Mas pra você ver como a vida é cheia de surprezas, não é? Não culpo nada, nem ninguém. Apenas classifico como um momento de fraqueza, de não estar em mim. Julgar as pessoas pelas costas é muito fácil quando não se sabe realmente o que aconteceu. O difícil é vir aqui, falar na cara, olhando nos olhos. Tenho consciência, e respondo por MEUS atos, não pelos de ninguém.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

...


Foi a primeira vez que eu senti essa coisa diferente dentro de mim. Uma coisa que jamais sentira antes. É tipo uma sensação de perda, angustia. Sei lá. Juro que não sei explicar. E não sei o porquê de ter acontecido. Mas sei que vai passar, talvez não hoje, mas um dia vai, quem sabe amanhã, não é? O amanhã está aí, "haverá sol todos os dias.." Ainda dá tempo de ser feliz, de viver a sua história.

:*


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'" Caiof.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E hoje a noite não tem luar.


Estou aqui, novamente. Pra falar as mesmas coisas? Sei lá, últimamente não tenho nada pra falar. Só pensar, e pensar. Só querendo ver o que vai ser daqui para a frente. Se vai ser, ou não vai ser na verdade. Dizer que aqui a tristeza e a felicidade caminham juntas, sério. Juntinhas. É quase inacreditável mas, é verdade. Um dia está tudo bem, outro não. Outra hora está tudo bem, outra não. E assim vai, pra onde eu não sei, só sei que vai. E tá indo. E o tempo está passando, rápido demais até. O mundo lá fora, rodando. E você/eu aí/aqui, parado, pateta. Mas ainda dá tempo. Todos os dias nasce um novo dia. Eis aí a chance pra recomeçar ou, COMEÇAR. Não perca tempo. /JulieneLopes.

terça-feira, 15 de novembro de 2011


“Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias.”

E agora?



E estou aqui mais uma vez, perdida como sempre. Sem saber por onde começar, sem saber pra onde ir, sem saber o que fazer. Juro que não consigo entender o porquê disso acontecer comigo, sempre, repetidamente. Sempre que pareço estar tão bem, tem que vir alguma coisa pra atrapalhar, pra me tirar do sério, pra me fazer perder a cabeça, ou até mesmo a razão. Coisas essas que me tiram o sono, que mexem comigo, que perturbam e perturbam./JulieneLopes.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar. Caiof.

sábado, 10 de setembro de 2011

ACREDITAR!


Que eu saiba puxar lá do fundo do baú um jeito de sorrir pros nãos da vida. Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica, nem contado em reais. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. Que eu possa também abrir espaço pra cultivar a todo instante as sementes do bem e da felicidade de quem não importa quem seja, ou do mal que tenha feito pra mim. Que a vida me ensine a amar cada vez mais de um jeito mais leve. Que o respeito comigo mesmo seja sempre obedicido com a paz de quem esta se encontrando e se conhecendo com um coração maior. Um encontro com a paz e o desejo de viver. Caiof.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Domingo


Sobre a mesinha, ao lado da pilha de livros, o cinzeiro cheio (...) Recostado na mesa, o corpo, na ponta do corpo a mão, na ponta da mão os dedos avançando até o maço. Vazio. (...)Pela janela aberta, o silêncio do domingo impresso num céu sem cor. Na rua deserta de rumores: domingo. Abre um livro. Os dedos circundam as letras, a unha do indicador amarelada pelo fumo, os dedos acariciam as letras como se fossem carne. Carne desconhecida, sem interesse. Um pouco fria. Letras que não dizem nada, gesto cansado, dedos que voltam à posição anterior mas, inquietos, sobem pela camisa, libertam o último botão da calça. Dedos que entram no peito, passam na pele, alcançando o pescoço, o rosto onde a barba não feita fere de leve. De um apartamento ao lado o vento rouba uma música do rádio e a traz para junto de seus ouvidos. Um samba. Gosto desse samba, pensa distraído, liga o rádio, coincidência, exatinho na mesma estação, dedos agora acompanham o ritmo batendo na colcha, mas o pano não faz som, é preciso bater na mesinha, madeira sambando, a melodia escorrega devagar pelo lado do cinzeiro, se espalha no chão. A voz acompanha baixinho a letra melancólica, amor, flor. (...)
Dezoito anos e um metro e oitenta de solidão. Desliza a mão pela parede, fechando os olhos o verde deixa de ferir, as granulações miúdas do cimento parecem prometer alguma coisa, (...) Abre os olhos e encontra o verde da parede, o azul da colcha: domingo espreitando na moldura da janela. Reduzido a ele mesmo, miseravelmente, sobre a cama. Nem sono tem. Já fechou os olhos, tentou dormir mas tanta preguiça que nem sono tem. Apaga o rádio. /CaioF.

terça-feira, 12 de julho de 2011

sonhos ..


Esses desejos que nos enlouquecem constantemente, que nos tiram do sério, que nos alegram, que fazem entristecer, que nos fazem ir além, nos fazem criar metas, expectativas, ansiedades. Eles que nos fazem sonhar até acordados, a gente fica ali, criando desejos, enchendo a mente de coisas boas ou não, dai sonhamos ... Ah, é tão bom! Mesmo que um dia esses meros desejos, ou sonhos, não se realizem, já valeu a pena, por que sonhar é uma das melhores coisas que alguém pode fazer, esteja ela dormindo ou não. Sonho é coisa nossa, é desejo nosso, claro que queremos quem sabe, que um dia eles se tornem realidade, mas não é fácil, você tem que persistir, ir fundo, e ai quem sabe né? Por isso, viva, acredite, não parem nunca de sonhar. /JulieneLopes

quinta-feira, 7 de julho de 2011


” Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: “Não digas ‘Eu sofro’. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?” Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja.
E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu “dói tanto”, contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou “porquê?”, compreendi ainda mais. Falei: “Porque é daí que nascem as canções”. E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina? ” /CaioF.

ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. /Vinícius de Moraes